Scanner intraoral: o que a evidência mede, o que muda o preço e como escolher
Um scanner intraoral captura a geometria da boca em três dimensões e devolve uma malha digital. Existem quatro princípios ópticos diferentes para fazer isso, e o preço vai de cerca de US$ 5.000 a US$ 50.000 — mas, no único estudo que mediu nove aparelhos no mesmo modelo, todos ficaram com erro médio abaixo de 60 µm em arco total, e um aparelho de entrada superou dois de marca premium. Esta página mostra os números medidos, explica de onde vem a diferença de preço e diz onde o escaneamento realmente falha.
Como ler esta página. Todo número aqui tem origem declarada. Onde a fonte é estudo revisado por pares, o link vai para o artigo. Onde é declaração de fabricante, está escrito que é declaração. Onde não achamos fonte, está escrito não divulgado — e isso é informação, não buraco: neste mercado, quase nenhum fabricante publica o princípio óptico do próprio aparelho.
Não há ranking nem nota nesta página, de propósito. Os números de exatidão são de 2021 e os preços são de 2024 a 2026: somar as duas coisas numa nota de 0 a 10 seria inventar a nota. A Hajime não vende scanner e não indica marca.
O gráfico que o mercado não publica
Em 2021, um estudo levou nove scanners intraorais ao mesmo modelo de calibração, com o mesmo operador, dez varreduras em cada aparelho, e comparou tudo contra um scanner de bancada certificado. É o desenho de estudo que permite comparar aparelhos entre si sem trapaça — porque modelo, operador e software de sobreposição mudam o resultado em dezenas de micrômetros, e só é comparável quem foi medido junto.
Trueness é o quanto o escaneamento se aproxima da medida real. Quanto menor a barra, mais fiel. O traço fino no fim de cada barra é o desvio-padrão: quanto maior, mais o aparelho oscila de uma varredura para a outra.
Arraste o gráfico para o lado para ver os valores inteiros.
Leia o gráfico com o preço na cabeça e a coisa fica desconfortável. O Runyes, de cerca de US$ 9.500, ficou à frente das duas versões do CEREC Omnicam, da Dentsply. O Medit i500, de faixa média, ficou à frente do TRIOS 3. E os cinco primeiros colocados não têm diferença estatística entre si — ou seja, um aparelho de US$ 35.000 e um de US$ 13.500 estão no mesmo grupo.
Três ressalvas que precisam vir junto, porque sem elas o gráfico vira propaganda ao contrário. É um estudo in vitro, sem saliva, sangue nem paciente se mexendo. É de 2021, então alguns modelos medidos já saíram de linha. E mede arco total em paciente dentado — desdentado e arco sobre implante são outra conversa, que está mais abaixo.
Os quatro jeitos de enxergar profundidade
Toda câmera vê duas dimensões. O trabalho do scanner é descobrir a terceira — a que distância está cada ponto. Existem quatro caminhos para isso no mercado odontológico, e entender qual o seu aparelho usa explica por que ele se comporta como se comporta.
Triangulação
O aparelho projeta luz sobre o dente por um lado e a enxerga por outro. Sabendo o ângulo entre emissor e câmera, a profundidade sai por trigonometria — é o mesmo princípio de medir a altura de um prédio pela sombra.
Quem usa Medit i500, Launca, Planmeca Emerald S, e a parte de triangulação do CEREC Omnicam.
É o princípio mais antigo e mais barato de fabricar. Precisa que emissor e câmera enxerguem o mesmo ponto, então perde em regiões profundas e estreitas, onde um dos dois fica sem linha de visada.
Confocal
A lente varre vários planos de profundidade em sequência e o aparelho guarda, para cada ponto, em qual plano aquele ponto apareceu nítido. A profundidade não é calculada: é o plano em que o foco bateu.
Quem usa iTero Element e 5D. A literatura também classifica a linha TRIOS nesta família.
Como não depende de dois ângulos, sofre menos em região profunda. Entre os aparelhos cujo fabricante DECLARA o princípio, foi a família mais bem colocada no estudo de Nulty.
Focus scanning
Variante patenteada da 3Shape. Em vez de procurar o ponto nítido, projeta um padrão e mede em que profundidade o CONTRASTE desse padrão é máximo. É por isso que a literatura a agrupa com confocal, mas ela não é a mesma coisa.
Quem usa Linha 3Shape TRIOS.
Quase todo conteúdo em português chama isso de "confocal" e para por aí. A patente da 3Shape descreve outra coisa, e a diferença importa para entender por que o TRIOS se comporta como se comporta.
Multi-Direct Capture
Vários pares de emissor e sensor enxergam a mesma superfície de direções diferentes ao mesmo tempo, em vez de um par varrendo em sequência.
Quem usa iTero Lumina.
É a única mudança real de princípio óptico entre gerações que localizamos na documentação. Campo de captura maior significa menos junções para o software costurar — e junção é onde o erro nasce.
Então qual tecnologia é melhor?
Esta é a pergunta que todo mundo faz e quase ninguém responde com dado. A resposta honesta é que existe tendência, não regra — e que uma parte da pergunta é impossível de responder, porque boa parte dos fabricantes simplesmente não diz qual princípio usa. Veja a amplitude de cada família:
A família confocal fica agrupada entre 20,8 e 27,7 µm. A triangulação se espalha de 25,2 a 58,5 µm: contém ao mesmo tempo um dos melhores aparelhos do estudo e o pior. Se o princípio óptico determinasse o resultado, isso não aconteceria.
E repare na terceira barra, que é a mais reveladora. O aparelho mais exato do estudo, o Primescan, tem princípio óptico não divulgado. A Dentsply publica um nome comercial, não uma descrição de engenharia. O mesmo vale para o Runyes, que está na mesma barra a 47,2 µm. Nulty observa no artigo que os aparelhos de microscopia confocal ficaram no topo — mas classificar o Primescan como confocal seria inferência, e inferência não entra em gráfico como se fosse medida. Por isso ele aparece aqui como o que de fato é: não divulgado.
A conclusão que sustenta: o princípio óptico ajuda a explicar o desempenho, e não o determina. Implementação, tamanho do campo de captura, algoritmo de costura e versão de software pesam tanto quanto a família óptica. A prova mais direta disso está no próprio estudo: o CEREC Omnicam foi medido com duas versões de software, e só a troca de versão melhorou a média e reduziu o desvio. Mesmo hardware, mesma óptica, resultado diferente.
Comparativo, aparelho por aparelho
Filtre pela faixa de preço ou ordene por qualquer coluna. Aparelho sem número de trueness não é pior: é que ele não entrou no estudo que usamos como base, e não vamos importar número de outro estudo para preencher a lacuna — isso mudaria o resultado em dezenas de micrômetros e é o erro mais comum em comparativo de scanner na internet.
| Princípio óptico | Exporta | |||
|---|---|---|---|---|
| Primescan Dentsply Sirona | Análise óptica de alta frequência, com sensor de contraste | 17,3 ± 4,9 | US$ 35.000 R$ 179.200 | STL O sucessor, o Primescan 2, processa em nuvem e depende do DS Core, que é pago. |
| TRIOS 4 3Shape | Focus scanning (patente própria), classificado como confocal pela literatura | 20,8 ± 6,2 | US$ 18.900 R$ 96.768 | STL, PLY, DCM A exportação em STL precisa estar HABILITADA no dongle. Não vem garantida: a própria 3Shape manda contatar o revendedor "conforme os termos da assinatura". |
| Medit i500 Medit | Triangulação óptica, em vídeo | 25,2 ± 7,3 | US$ 13.500 R$ 69.120 | STL, PLY, OBJ Passa pelo Medit Link. |
| CS 3600 Carestream Dental | Estereofotogrametria | 26,9 ± 15,9 | não publicado | STL, PLY |
| TRIOS 3 3Shape | Focus scanning (patente própria) | 27,7 ± 6,8 | não publicado | STL, PLY, DCM Mesma condição de dongle do TRIOS 4. |
| Runyes QuickScan Ningbo Runyes | não divulgado | 47,2 ± 5,4 | US$ 9.500 R$ 48.640 | não divulgado |
| CEREC Omnicam Dentsply Sirona | Triangulação combinada com confocal | 55,1 ± 9,5 | não publicado | STL |
| Launca DL206 Launca | Triangulação, com fonte LED | 58,5 ± 22 | US$ 16.000 R$ 81.920 | STL, PLY Declarado sistema aberto, sem nuvem obrigatória. |
| Straumann SIRIOS X3 Straumann | não divulgado | sem estudo | US$ 17.995 R$ 92.134 | não divulgado Descrito como scanner aberto pela revisão independente, mas nenhuma página oficial lista os formatos. |
| iTero Lumina Align Technology | Multi-Direct Capture | sem estudo | US$ 46.000 R$ 235.520 | STL, via Open Shell Depende do MyiTero, que é nuvem obrigatória. |
| Aoralscan 3 SHINING 3D | não divulgado | sem estudo | US$ 10.999 R$ 56.315 | STL, PLY, OBJ Declarado sistema aberto. |
| Planmeca Emerald S Planmeca | Triangulação por padrão projetado, com lasers RGB | sem estudo | US$ 11.999 R$ 61.435 | STL, PLY, OBJ |
| Eagle Scan Dabi Atlante | não divulgado | sem estudo | não publicado | não divulgado |
| Alliedstar AS200E Alliedstar (grupo Straumann) | não divulgado | sem estudo | US$ 10.995 R$ 56.294 | STL, PLY, OBJ Sem assinatura. |
Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.
Precisa decidir entre duas linhas específicas em vez de olhar todas? Medit × 3Shape TRIOS separa o que cada fabricante declara do que a literatura mediu — e mostra o número declarado que inverte a conclusão de quem compara errado.
Nenhum aparelho nessa faixa. Escolha outro filtro.
Ponto forte e ponto fraco de cada um
Nenhum aparelho aqui aparece só com virtude. Comparativo que lista apenas qualidade é catálogo, não comparativo — e o ponto fraco costuma ser a informação que muda a decisão. Onde o ponto fraco é ausência de estudo, está escrito assim: ausência de estudo não é ausência de qualidade, é ausência de prova.
Primescan Topo de linha 17,3 µm
Pontos fortes
- Melhor trueness de arco total entre os nove do estudo de Nulty, com 17,3 µm.
- Único scanner intraoral do estudo estatisticamente agrupado, em precisão, com scanners de bancada.
- Nível de detalhe da malha visivelmente superior na inspeção dos autores.
Pontos de atenção
- É o segundo mais caro da lista, e a vantagem medida sobre o segundo colocado foi de 3,5 µm.
- Dentsply não divulga o princípio óptico com detalhe de engenharia — só o nome comercial.
- A versão com cabo perdeu para a sem fio Primescan 2 em reprodutibilidade no estudo de Murakami.
TRIOS 4 Premium 20,8 µm
Modelo medido no estudo: TRIOS 4
Pontos fortes
- Segunda melhor trueness do estudo, a 3,5 µm do primeiro colocado, custando cerca de metade.
- Ecossistema de aplicativos e integração com laboratório é o mais maduro do mercado.
- A linha TRIOS é a mais estudada na literatura, o que dá previsibilidade de comportamento.
Pontos de atenção
- Abertura condicionada: exportar STL é item habilitável comercialmente, e muito dentista descobre isso depois da compra.
- O TRIOS 5, no estudo de Murakami, foi o que MAIS degradou com a distância do roteador — caiu para 29,5% a 5 metros.
- O que sai em STL perde a cor e a marcação de término feita no scanner.
Medit i500 Média 25,2 µm
Modelo medido no estudo: i500. A linha atual é i600, i700 e i900.
Pontos fortes
- Terceiro melhor do estudo com um princípio óptico simples e barato — é o caso que mais desmonta a ideia de que tecnologia cara é o que garante exatidão.
- Exporta nos três formatos abertos, sem habilitação especial.
- Num estudo posterior, o i700 apresentou trueness melhor que a do Primescan.
Pontos de atenção
- O modelo medido saiu de linha; o que se vende hoje não foi medido no mesmo estudo.
- A Medit migrou seu ecossistema de aplicativos gratuitos para assinatura, o que muda o custo em cinco anos.
- Medit não divulga o princípio óptico dos modelos i600 e i900.
CS 3600 Média 26,9 µm
Modelo medido no estudo: CS 3600. O sucessor é o CS 3800.
Pontos fortes
- Quarto melhor do estudo, com um princípio óptico diferente de todos os que estão acima dele.
- Prova de que fotogrametria também entrega arco total abaixo de 30 µm.
Pontos de atenção
- O desvio-padrão é de longe o pior entre os cinco melhores: 15,9 µm contra 4,9 do Primescan. Escaneamento menos previsível de uma varredura para a outra.
- Preço inicial não publicado no guia que usamos.
TRIOS 3 Premium 27,7 µm
Pontos fortes
- Geração anterior e ainda dentro do grupo estatístico dos melhores.
- É o scanner com maior parque instalado no Brasil, o que facilita suporte e revenda.
Pontos de atenção
- Ficou atrás do Medit i500, que custava bem menos na época do estudo.
- Mesma pegadinha de dongle na exportação.
Runyes QuickScan Entrada 47,2 µm
Modelo medido no estudo: QuickScan. O modelo atual é o 3DS 3.0.
Pontos fortes
- É o dado mais incômodo do estudo inteiro: superou as DUAS versões do Omnicam da Dentsply, custando uma fração do preço.
- Desvio-padrão de 5,4 µm, ou seja, resultado consistente entre varreduras.
- Malha regular e densa, notada pelos autores.
Pontos de atenção
- Trueness de 47,2 µm contra 17,3 do Primescan: a diferença existe e é de quase 30 µm.
- Ficou no grupo estatisticamente menos preciso do estudo.
- Fabricante não divulga princípio óptico, e não achamos registro Anvisa.
CEREC Omnicam Premium 55,1 µm
Modelo medido no estudo: Software 5.1. A versão 4.6 mediu 57,5 ± 3,2 µm.
Pontos fortes
- A troca só de versão de software melhorou a média e reduziu o desvio — evidência direta de que software é parte da exatidão.
- Continua dentro da faixa de utilidade clínica declarada pelos autores.
Pontos de atenção
- Perdeu para o Runyes, que custava uma fração do preço.
- Geração antiga, em carrinho, e não sem fio.
Launca DL206 Média 58,5 µm
Modelo medido no estudo: DL206. O modelo atual é o DL-300.
Pontos fortes
- A malha foi apontada pelos autores como a de detalhe mais impressionante do estudo, com densidade uniforme.
- Sistema aberto sem nuvem obrigatória, o que é raro.
Pontos de atenção
- Pior trueness do estudo e, pior ainda, desvio-padrão de 22 µm: é o menos previsível dos nove.
- Malha bonita não é malha exata — os autores separam explicitamente as duas coisas.
- Em outro estudo, num arco total sobre implante com angulação, chegou a 229 µm contra 38 µm do TRIOS.
Straumann SIRIOS X3 Premium
Pontos fortes
- Sem assinatura: o software vem incluso na compra.
- Nasce conectado ao coDiagnostiX, ao AXS e à impressão chairside — para quem faz cirurgia guiada, o caminho já está montado.
- A revisão independente elogia a costura como uma das mais à prova de falhas que já testou, e o desempenho em desdentado.
Pontos de atenção
- Nenhum estudo independente de exatidão até 08/09/2026. Ausência de estudo não é ausência de qualidade, mas é ausência de prova.
- Não conclui caso escaneando um arco só, e aceita no máximo duas mordidas por caso.
- Textura descrita como cartunesca e escura; integração com o AXS ainda não totalmente fluida.
- Peso divergente entre as páginas da própria Straumann: 240 g na global, 214 g na brasileira.
iTero Lumina Topo de linha
Pontos fortes
- Único da lista com mudança real de princípio óptico entre gerações, e não só melhoria incremental.
- Campo de captura bem maior, o que reduz o número de junções que o software precisa costurar.
Pontos de atenção
- É o mais caro da lista, e não localizamos estudo independente que meça o ganho de exatidão correspondente.
- Nuvem obrigatória: o fluxo passa pelo MyiTero.
- A Align declara à SEC que alinhadores são 80% da receita e scanners 20% — o aparelho é o canal de outro produto.
Aoralscan 3 Entrada
Pontos fortes
- Três formatos abertos sem habilitação, o que preserva a liberdade de laboratório.
- Tem estudo clínico in vivo publicado, o que é raro nesta faixa de preço.
- Registro Anvisa localizado.
Pontos de atenção
- Fabricante não divulga o princípio óptico.
- Não entrou no estudo comparativo que usamos como espinha, então não tem barra no gráfico.
Planmeca Emerald S Média
Pontos fortes
- É um dos poucos que publica o princípio óptico com detalhe suficiente para ser conferido.
- Três formatos abertos.
- Tem estudo clínico in vivo publicado.
Pontos de atenção
- Fora do estudo comparativo, então sem número de trueness comparável.
- Registro Anvisa não localizado na nossa busca.
Eagle Scan Entrada
Pontos fortes
- Scanner intraoral de fabricação brasileira, com registro Anvisa localizado.
- Assistência técnica e peças em território nacional mudam o custo de uma parada de equipamento.
Pontos de atenção
- Sem estudo independente de exatidão que tenhamos localizado.
- Fabricante não divulga princípio óptico, formatos de exportação nem preço.
Alliedstar AS200E Entrada
Pontos fortes
- É o mesmo hardware que a Straumann vendeu como SIRIOS por cerca de US$ 2.000 a mais — o caso mais limpo que existe de que preço de scanner não é só tecnologia.
- Três formatos abertos, sem assinatura.
- Num estudo de 2026, um Alliedstar foi o aparelho usado para medir o efeito da estratégia de varredura.
Pontos de atenção
- Fabricante não divulga princípio óptico.
- Sem estudo independente de exatidão comparativa que tenhamos localizado.
- Registro Anvisa não localizado.
Por que a escada de preço vai de R$ 26 mil a R$ 256 mil
A prova mais limpa de que não é tecnologia
Em setembro de 2023 o grupo Straumann comprou a AlliedStar, fabricante chinesa de scanners com sede em Xangai. No comunicado oficial ao mercado, o próprio CEO define o scanner como "o ponto de entrada do fluxo digital" e diz que a compra permitiria operar em "diferentes pontos de preço".
A revisão independente registra que o SIRIOS "usa o hardware e a tecnologia comprovados do scanner sem fio AS200E da Alliedstar, mas com mudanças significativas de software". Cerca de R$ 10.000 de diferença sobre hardware idêntico. Não é óptica, não é sensor, não é exatidão. É software, marca, canal e ecossistema.
Isso não torna a diferença indevida — software, suporte e integração são valor real. Torna apenas insustentável a ideia de que o preço de um scanner mede a qualidade da captura.
O custo Brasil, que ninguém publica
Nenhum distribuidor brasileiro publica preço unitário; a resposta padrão é "consulte". As duas faixas públicas que localizamos são a Dental Speed, com "a partir de R$ 35.000", e a Dental Cremer, com entrada "a partir de R$ 55.000" e premium "acima de R$ 200.000". A opacidade não é acidente: ela permite precificar por cliente.
E 2026 encareceu. O imposto de importação de equipamento odontológico subiu para 20%, e a Lei Complementar nº 224, de dezembro de 2025, encerrou benefícios fiscais sobre equipamento médico, com a ABIMO projetando aumento médio de 20%.
Não confunda conversão com preço. Os valores em real desta página são conversão de câmbio do preço internacional, na data indicada. Entre a etiqueta lá fora e a nota fiscal aqui entram imposto de importação, ICMS, PIS/COFINS, frete e duas margens. Pelas faixas públicas que conseguimos ancorar, o valor praticado no Brasil tende a ficar entre 1,4 e 2,1 vezes a conversão — mas isso é estimativa a partir de duas faixas de distribuidor, e não vale como cotação. Peça orçamento, por escrito, com modelo, data, o que está incluso e o custo anual de manutenção.
O que perguntar antes de assinar
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Quais formatos exporta, e a exportação está habilitada?
Pergunta literal, resposta por escrito. A documentação da 3Shape diz que exportar STL exige habilitação no dongle. Descobrir isso depois da compra é caro.
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O fluxo passa por nuvem paga?
Alguns aparelhos exigem plataforma na nuvem para exportar ou para versionar. Isso é mensalidade, e mensalidade entra no custo de cinco anos.
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Quantos ciclos de autoclave a ponteira aguenta, e quanto custa a peça?
A diferença entre 20 e 180 ciclos muda o custo por paciente de forma relevante ao longo do ano. É o custo recorrente que quase ninguém soma.
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Qual o computador exigido, e ele está no orçamento?
Parte dos aparelhos processa na máquina do consultório. Um PC que atenda ao requisito pode ser uma linha inteira de custo esquecida.
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Assistência técnica: onde fica, e qual o prazo de reparo?
Equipamento parado é agenda parada. Fabricante nacional e importado se comportam de forma diferente aqui, e isso raramente aparece na comparação de ficha técnica.
O fator que pesa mais que a escolha do aparelho
Em 2025, o comitê de pesquisa em prótese fixa da American Academy of Fixed Prosthodontics publicou uma revisão sistemática com meta-análise e meta-regressão sobre o efeito do operador no escaneamento intraoral. Os números:
- 19,22 µm de melhora na trueness depois de treinamento (p < 0,001)
- 76,46 segundos a menos por escaneamento, também depois de treinamento (p < 0,001)
- 40,95 segundos a mais era o que o operador inexperiente levava, antes (p < 0,001)
Ponha lado a lado com o gráfico do começo desta página. A amplitude entre o melhor e o pior scanner do estudo de Nulty é de 41 µm. Treinar o operador entrega quase metade do ganho de trocar do pior para o melhor aparelho do mercado , a um custo que não se compara.
E não é tempo de profissão: é protocolo
Um estudo de 2026 do Shanghai Ninth People's Hospital complica — e melhora — esse argumento. Três modelos maxilares, três operadores experientes e três estudantes, três estratégias de varredura, dez repetições cada. O resultado: a estratégia de varredura afetou significativamente a trueness e a precisão (p < 0,05), com as estratégias não lineares superando a linear (p < 0,001) — enquanto a experiência do operador não teve efeito principal significativo sobre a exatidão de arco total.
Os dois estudos não se contradizem. Um mediu o efeito de treinar; o outro, o efeito de ter anos de prática. Juntos dizem a mesma coisa por caminhos opostos: o que separa um escaneamento bom de um ruim é o protocolo que a pessoa usa, não o tempo de profissão. Anos sozinhos não ensinam a estratégia certa.
Uma consequência prática que vale mais que qualquer comparativo: se você já tem um scanner, a primeira coisa a fazer não é trocar. É padronizar a sequência de varredura da equipe inteira e medir se o resultado melhorou.
Onde o escaneamento intraoral não basta
Uma página que só elogia a tecnologia é panfleto. Existem três situações em que a evidência atual não sustenta o escaneamento direto como solução completa, e você precisa saber quais são antes de prometer para o paciente.
Arco total sobre implante
Três meta-análises de 2025 convergem: a fotogrametria supera o escaneamento intraoral direto nesse cenário. Não é caso de trocar de scanner — é caso em que o método muda. Quanto mais implantes e maior a distância entre eles, mais o erro de costura se acumula.
Desdentado total
Revisão de escopo com 26 artigos: os desafios permanecem — falta de indicadores anatômicos, dificuldade de capturar tecido vestibular e tecido móvel. A conclusão é que falta evidência confiável de que o escaneamento substitua inteiramente a moldagem convencional em usuários de prótese total.
Superfície que o software preenche
Os algoritmos fecham falhas de malha, e nenhum fabricante documenta como decide o que preencher nem sinaliza quais regiões foram interpoladas. Um dado de 2025: uma função de IA melhorou a precisão e piorou a trueness na maioria das relações testadas. Mais repetível, menos fiel.
E um achado que não está em nenhum folheto: a sua rede
Um estudo de 2026 escaneou uma mandíbula desdentada com seis implantes usando três aparelhos sem fio e um com cabo, variando a distância até o roteador. A reprodutibilidade, medida como percentual de área a ± 50 µm da referência:
| Aparelho | A 0,5 m | A 5,0 m |
|---|---|---|
| Primescan 2 (sem fio) | acima de 78,8% | estável |
| Primescan (com cabo, controle) | 63,5% | 63,5% |
| SIRIOS (sem fio) | 64,6% | 50,4% |
| TRIOS 5 (sem fio) | 61,6% | 29,5% |
A velocidade de upload correlacionou com a reprodutibilidade em dois dos três aparelhos sem fio, e não no terceiro. Ou seja: a rede do consultório é uma variável de exatidão, e não só de conforto. Se você usa scanner sem fio, a distância até o roteador é decisão clínica. Vale medir.
Uma honestidade necessária: o artigo escreve apenas "SIRIOS", sem especificar a geração. Provavelmente é o modelo de primeira geração, mas não conseguimos confirmar, e por isso não atribuímos o número ao SIRIOS X3.
O scanner é o começo do fluxo, não o fim
Comprar o aparelho resolve a captura. O que vem depois — o que fazer com o arquivo, como levá-lo para um planejamento, como transformar um escaneamento em guia cirúrgica impressa — é onde a maior parte dos dentistas trava, e é onde o retorno do investimento realmente aparece.
Se você já tem um scanner e sente que não extrai dele o que poderia, a evidência desta página aponta o caminho mais barato antes de qualquer troca de equipamento: protocolo e treinamento. É o que a Hajime Academy faz.
Ver as trilhas de fluxo digital Planejar um caso com a gente
Perguntas frequentes
Qual é o melhor scanner intraoral?
Não existe resposta única, e quem responde com um nome está vendendo. No único estudo que mediu nove scanners no mesmo modelo, com o mesmo operador, todos ficaram com erro médio abaixo de 60 µm em arco total. O Primescan teve a melhor trueness, 17,3 µm. Mas cinco aparelhos ficaram abaixo de 30 µm, e o Runyes, de cerca de US$ 9.500, superou as duas versões do Omnicam da Dentsply. A pergunta útil não é qual é o melhor: é qual erro o seu tipo de trabalho tolera.
Por que um scanner custa US$ 5.000 e outro US$ 50.000?
Não é principalmente tecnologia. O caso mais limpo: a Straumann comprou a fabricante chinesa Alliedstar e vendeu o AS200E, com o mesmo hardware, sob a própria marca por cerca de US$ 2.000 a mais. Nada de óptica mudou. O que explica a maior parte da escada de preço é o modelo de negócio (a Align declara à SEC que alinhador é 80% da receita e scanner 20%), a marca, o canal e, no Brasil, a tributação. Tecnologia entra, e entra depois desses.
Scanner barato serve para uso clínico?
Para trabalho unitário e de quadrante, a evidência disponível diz que sim: no estudo de Nulty todos os nove aparelhos, incluindo os de entrada, ficaram abaixo de 60 µm em arco total. Onde a diferença aparece de verdade é em arco total sobre implante com angulação — ali um aparelho de entrada chegou a 229 µm contra 38 µm de um premium. A regra prática: a conta muda quando o caso é grande e sobre implante.
Qual tecnologia de scanner é a mais precisa?
Os dados sustentam uma tendência, não uma regra — e parte da pergunta não tem resposta pública. No estudo de Nulty, os aparelhos da família confocal ficaram bem colocados, entre 20,8 e 27,7 µm. Mas o grupo da triangulação vai de 25,2 a 58,5 µm, contendo ao mesmo tempo um dos melhores e o pior do estudo. E o aparelho mais exato de todos, o Primescan, tem princípio óptico não divulgado pelo fabricante: existe nome comercial, não descrição de engenharia. Ou seja, o princípio óptico ajuda a explicar o desempenho e não o determina.
Quanto custa um scanner intraoral no Brasil?
Nenhum distribuidor brasileiro publica preço unitário — a resposta padrão é "consulte". As duas faixas públicas que localizamos: Dental Speed anuncia "a partir de R$ 35.000" e Dental Cremer fala em entrada "a partir de R$ 55.000" e premium "acima de R$ 200.000". Converter o preço internacional pelo câmbio não dá o preço daqui: entram imposto de importação, ICMS, frete e duas margens. E 2026 encareceu: o imposto de importação de equipamento odontológico subiu para 20% e a LC 224/2025 encerrou benefícios, com a ABIMO projetando aumento médio de 20%.
Scanner sem fio é tão bom quanto com cabo?
Depende da sua rede, e isso quase nunca é dito. Num estudo de 2026 com modelo desdentado e seis implantes, a reprodutibilidade caiu conforme a distância até o roteador: um dos aparelhos foi de 64,6% para 50,4% de concordância entre 0,5 m e 5 m, e outro despencou de 61,6% para 29,5%. A velocidade de upload correlacionou com a reprodutibilidade nos dois. Um terceiro aparelho ficou estável. Ou seja: a qualidade da rede do consultório é uma variável de exatidão, não só de conforto.
O que é trueness e o que é precisão?
São coisas diferentes e o marketing embaralha as duas. Trueness é o quanto o escaneamento se aproxima da medida real do objeto. Precisão é o quanto duas varreduras do mesmo objeto se parecem entre si. Um aparelho pode ser muito preciso e pouco fiel: erra sempre, mas erra igual. Por isso a página mostra o desvio-padrão ao lado da média — um scanner com média boa e desvio alto é imprevisível.
Sistema aberto quer dizer que eu exporto STL para qualquer laboratório?
Nem sempre, e essa é a pegadinha que o dentista descobre depois. A documentação de suporte da 3Shape diz que a opção de exportar STL precisa estar habilitada no dongle, e manda contatar o revendedor conforme os termos da assinatura. Além disso, o STL exportado descarta a cor e a marcação de término feita no scanner. Antes de assinar, peça por escrito: quais formatos exporta, se a exportação está habilitada e se ela passa por nuvem paga.
Vale mais trocar de scanner ou treinar a equipe?
A meta-análise de 2025 do comitê de prótese fixa da AAFP mediu: depois de treinamento, os operadores melhoraram a trueness em 19,22 µm e ficaram 76,46 segundos mais rápidos. A amplitude entre o melhor e o pior scanner do estudo de Nulty é 41 µm. Treinar entrega quase metade do ganho de trocar do pior para o melhor aparelho do mercado, a um custo incomparável. E um estudo de 2026 mostra que o que pesa não é tempo de profissão, e sim a estratégia de varredura: as estratégias não lineares foram melhores que a linear.
Dá para escanear arco total sobre implante sem erro?
Não, e é importante dizer. Três meta-análises de 2025 convergem: em arco total sobre implante, a fotogrametria supera o escaneamento intraoral direto. Isso não é um caso de trocar de scanner — é um caso em que o método muda. Para prótese total em desdentado, uma revisão de escopo com 26 artigos conclui que falta evidência confiável de que o escaneamento substitua inteiramente a moldagem convencional.
O software do scanner inventa superfície onde ele não enxergou?
Os algoritmos preenchem falhas de malha, e nenhum fabricante documenta como decide o que preencher nem sinaliza ao usuário quais regiões foram interpoladas. Um dado de 2025 ilustra o risco: uma função de inteligência artificial melhorou a precisão e piorou a trueness na maioria das relações testadas. Traduzindo: ficou mais repetível e menos fiel. Mapa colorido bonito na tela não é prova de que a superfície abaixo dele foi capturada.
A Hajime indica ou vende algum scanner?
Não. Não vendemos scanner, não recebemos comissão sobre venda de scanner e esta página não indica marca. O que ensinamos é o que vem depois: como escanear com protocolo, o que fazer com o arquivo, e como o escaneamento entra num planejamento de cirurgia guiada. Se em algum momento existir relação comercial com algum fabricante, ela aparecerá declarada e adjacente, não em nota de rodapé.
Referências
- Nulty AB. A Comparison of Full Arch Trueness and Precision of Nine Intra-Oral Digital Scanners and Four Lab Digital Scanners. Dentistry Journal, 2021;9(7):75. Ver estudo
- Limones A, et al.. Impact of operator experience on intraoral digital scanning: a systematic review with meta-analysis and meta-regression. The Journal of Prosthetic Dentistry, 2025. Ver estudo
- Chen Y, Dong Y, Tang Y, Wu Y, Chen T, Tao J, Zhao J. Impact of dentition alignment, scanning strategy and operator experience on the accuracy and time of intraoral scanning: an in vitro study. BMC Oral Health, 2026. Ver estudo
- Murakami T, Asaka K, Ikumi R, Miyashita T, Momose Y, Tanaka Y, Saka K, Okada A. Implant-position reproducibility of wired and wireless intraoral scanners and the effects of Wi-Fi distance and upload speed: an in vitro study. BMC Oral Health, 2026;26(1):257. Ver estudo
- Pozzi A, et al.. Photogrammetry Versus Intraoral Scanning in Complete-Arch Digital Implant Impression. Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2025. Ver estudo
- Mohamedin SM, et al.. Can digital scans replace conventional impressions for complete denture fabrication? A scoping review. The Journal of Prosthetic Dentistry, 2025. Ver estudo
- Róth I, et al.. The role of artificial intelligence in intraoral scanning for complete-arch digital impressions. Journal of Dentistry, 2025. Ver estudo
- Awad AMM, et al.. Design and validation of a low-cost 3D intraoral scanner. The Journal of Prosthetic Dentistry, 2025. Ver estudo