Pular para o conteúdo

Gengivoplastia digital, do desenho à guia

O maior problema da gengivoplastia não é técnico, é de expectativa. O paciente que acha os dentes curtos e de fato precisa do procedimento pode sair da cadeira achando que se tirou demais — porque ele nunca viu, antes, o que ia acontecer. É esse desencontro que a simulação resolve: o desenho do tecido mole é feito e mostrado na tela, com a cara do próprio paciente, antes de qualquer lâmina.

Três arquivos, e o caso separado em camadas

O fluxo começa com escaneamento intraoral, fotografias extraorais e tomografia. Com os três carregados, o plano Blueprint separa as estruturas — tecido mole, dente a dente, osso —, e é essa separação que permite trabalhar a gengiva sozinha, sem mexer no resto.

As três telas abaixo são do plano Rever, onde o que foi desenhado é comparado com o que o paciente tem.

Escaneamento intraoral da arcada superior sobre fundo escuro, com o tecido mole em rosa e os dentes em tons de cinza-claro.
O escaneamento sozinho. Gengiva e dentes já separados como objetos distintos — é o que torna possível mover um sem arrastar o outro.
O mesmo escaneamento sobreposto à tomografia: maxila e mandíbula aparecem em malha branca e o tecido mole rosa fica translúcido por cima do osso.
O escaneamento sobre a tomografia. A gengiva deixa de ser só superfície e passa a ter osso embaixo — a referência que faltava para decidir quanto dá para mexer.
A mesma sobreposição num render em tom de osso, com o tecido mole em roxo translúcido sobre a maxila e os dentes superiores em destaque.
A mesma cena, outro modo de visualização. Trocar o render é o que deixa ver a relação entre contorno gengival e osso subjacente na mesma imagem.

A gengivoplastia acontece primeiro na tela

Close da região anterior superior com o tecido mole destacado em verde-água e translúcido sobre os dentes e o osso, e o cursor do software apoiado sobre a gengiva de um incisivo central.
O tecido mole isolado, sendo manipulado. É aqui que a gengivoplastia é feita virtualmente: o contorno é reposicionado dente a dente, e o enceramento passa a existir só para mostrar o resultado do tecido mole.

O antes e o depois que o paciente vê

As duas imagens abaixo são do software. Não são fotografia antes e depois de cirurgia: são a situação atual e a simulação do desenho, renderizadas pelo Smilecloud sobre a foto do próprio paciente. O que elas mostram é o que foi planejado — não uma garantia do que a boca vai devolver.

Sorriso do paciente na situação atual, com os incisivos superiores curtos e o contorno gengival mais baixo. O mesmo sorriso na simulação do Smilecloud, com o contorno gengival reposicionado e os incisivos superiores aparecendo mais longos.
Os dois estados são do Smilecloud. O paciente olha para o próprio rosto e decide se é aquilo que ele imaginava. Isso é o que chamamos de previsibilidade: não a promessa de um resultado, e sim a conversa acontecendo antes do procedimento, com a mesma imagem na frente dos dois.

Do desenho para a boca: a guia periodontal

Fica a pergunta óbvia: dá para copiar exatamente esse contorno a mão livre? Não dá. É para isso que existe a guia periodontal — o perioguide —, que leva o desenho da tela para a boca como referência física. No vídeo, ela é montada no coDiagnostiX.

Guia periodontal em ciano vista de frente, com janelas recortadas sobre as faces vestibulares dos dentes anteriores e superfícies de apoio nos posteriores.
A guia periodontal no coDiagnostiX. As janelas marcam onde o contorno planejado encontra o dente. O desenho decidido no Smilecloud vira referência de mesa em vez de continuar sendo memória do operador.

Perguntas sobre gengivoplastia digital

O resultado da cirurgia sai igual ao da simulação?

A simulação mostra o desenho que foi planejado, não uma garantia de desfecho. O que ela resolve é outra coisa, e é o problema que mais aparece na prática: alinhar a expectativa antes, com o paciente olhando, em vez de descobrir depois que ele imaginava outra coisa. O quanto a boca reproduz o desenho depende de biotipo, distância biológica, execução e cicatrização — e é aí que a guia periodontal ajuda, porque transfere referências em vez de depender da mão livre.

Quais arquivos preciso ter antes de começar?

Três: o escaneamento intraoral, as fotografias extraorais do paciente e a tomografia. Os três são carregados no Smilecloud, e é a combinação deles que permite separar tecido mole, dente a dente e osso no plano Blueprint.

Dá para reproduzir o desenho a mão livre?

Copiar exatamente, não. É justamente por isso que existe a guia periodontal: ela leva o contorno decidido na tela para a boca como referência física, em vez de depender da leitura do operador no trans-operatório. No vídeo, essa guia é montada no coDiagnostiX.

Preciso dos dois softwares?

Neste fluxo, sim, e cada um faz uma parte: o Smilecloud é onde o tecido mole é desenhado e mostrado ao paciente; o coDiagnostiX é onde esse desenho vira guia. A descrição do próprio vídeo resume o ponto — a ideia é que softwares diferentes façam parte de um fluxo só, em vez de serem usados como ferramentas isoladas.

Para continuar